Tem uma história que minha mãe me contou, de quando eu era pequena que eu acho interessante. Ela disse que teve uma época em que eu não parava de pedir para fazer coisas extravagantes, pedia coisas as mais impossíveis toda hora, queria porque queria e não tinha jeito. E era só ouvindo muito"não, não e não!" que eu parava. Demorou diz ela, mas parei.
Mas aí aconteceu um troço engraçado. Depois daquele período em que eu quis as coisas e ela só me dizia não, de tão absurdas que eram as coisas que eu queria, fui eu quem passou um baita tempo dizendo "não" pra tudo:
- Paula (minha mãe me chama de Paula), vamos dar uma voltinha hj?
-Não.
-Paula, vamos tomar um sorvete agora?
-Não.
-Paula, tu não quer ir brincar ali com os outros?
-Não.
-Minha filha a mãe fez aquele pudim de leite condensado que tu gosta, quer?
(olha que pra eu negar o pudim da minha mãe, é brabo)
-Não.
E foi "não e não" por um baita tempo. Depois de tanto ouvir acabei incorporandoo o "não" na rotina, até que tudo foi voltando ao normal.
Eu ainda sou muito cabeça dura, quando quero, quero porque quero e deu. Mas, depois de ver que, exaustivamente, "não dá" acho que procuro adotar a negação por um tempo, fingindo assim que o não também é uma coisa normal. Tudo com uma boa dose de exagero.
(Exagerada eu? Nããããoo, quase nada.)
Mas agradeço a todos os "não" de minha vida. E a todos os "sim", é claro.
Porque ao menos eles querem dizer alguma coisa. Ás vezes só se precisa ouvir: "sim ou não". É difícil querer um e ter que ouvir o outro, mas nada que seja extremamente pezaroso (bem, um pouco, ás vezes). Verdade é que tem momentos em que eles tem que ser ditos, de um jeito ou de outro. Coragem, vamos lá. O que demora é entender. Mas a gente entende.
Quantos "sim" podem preencher o vazio de um não?
E quantos "não" valeram tanto ou mais que um sim?
É pra se pensar sim. Ou não também.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
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